
Nas campinas da minha fazendaNo chão do meu quintalMandiocal; um espaço varridoPela vassoura de folhas.Meu caminhão de madeira com volanteDe tampa de panela...Fui caminhoneiro nos meus sonhos de criançaFui caça e não caçador nos meus sonhos...Fui mocinho fui vilão.Nadei no córrego barrento.Senti o aroma das flores na primavera.Andei descalço rodei pião, soltei,pipaTroquei figurinhas.Desejei ser os super-heróis dos meus gibis.Pensei em ser o padre da paróquia da minha vilaCantei e encantei na minha infância.Recitei poesia no recreioCantei canções da jovem-guarda em minha escola.Fiz guitarra de pau e microfone de vassoura.Fui crescendo,na adolescência fiquei adulto.Fui bóia fria na roça;Cortei cana no Alambique;Colhi algodão;Fui entregador de marmita,Engraxate e vendedor de picolé e saquinho de refresco.Ajudei minha famíliaEnvelheci jovem.Fui vendedor, desenhista,fiz contornos da vida no carvão.A conversão foi a revisão da vida.Estudei, teologiaSou pastor por vocaçãoCasei, tive mulher e filhasPlantei igrejas...Escrevi livros fiz poesia,Que mais desejo?Se pudesse viver a vida novamente,Eu a viveria como vivi pois estou feliz como estou.Eu fiz plástica nas minhas emoções com o bisturi da razão.
